Sunday, June 18, 2006

O Plano - 17º Episódio

O Hugo, o Mateus e o Luís jogavam uma partida do mítico “Sobe e Desce”, a dez cêntimos o ponto, que já durava há algum tempo. Eles começavam nos cinquenta pontos, de modo a que o jogo durasse uma eternidade. O Hugo já ia na oitava cerveja. O Mateus não dizia uma única palavra durante todo o jogo. Apenas se ria quando usava um trunfo.

- És sempre a mesma merda! Tens os trunfos e ficas caladinho, mas na hora de “limpares” tudo, dás esse risinho… - resmungou o Luís.

- Cala-te, Sapo. - disse o Mateus.

O Luís era conhecido como o Sapo. E essa alcunha era usada contra si nestes momentos da mais tensão.

- Trunfo é copas, urina é mijo!!! - gritou o Hugo, eufórico.

- Pronto, este tá a começar a passar-se. - disse o Mateus.

- Estomiro estomai… oohhoohhohohoh… Onde moras, João? Pareces o Picolico!!! - continuou o Hugo.

A palhaçada instalou-se. Aquele jogo estava destinado a terminar com as tropelias do Hugo. Agora era aturá-lo.

O Bósnia não estava ali para assistir à cena. Já sabia como acabavam os jogos de cartas daqueles três. Ele era um tipo reservado. A sua equipa não sabia muitas vezes em que pensava, o que planeava. Era um indivíduo que reflectia ao máximo sobre todas as suas hipóteses, nada era feito ao acaso. E só quando tinha a absoluta certeza do que fazia é que se dispunha a avançar, contando aos restantes elementos qual era o plano a seguir. Nestes últimos tempos pensava na situação que se tinha gerado. O Zé pedro era o refém, a equipa de Bale estava manietada, impedida de agir. O que inquietava Bósnia era a súbita sensação de poder que tinha conseguido, em pouco tempo. De um momento para o outro, o rapto de Zé Pedro tinha mudado toda a situação. O Bósnia estava a controlar a situação como nunca antes o tinha conseguido. E isso trazia uma grande responsabilidade para o seu lado. Todas estas ideias percorriam o seu pensamento enquanto se encontrava numa esplanada.

- Um café, por favor… - pediu Bósnia.

O empregado não demorou a trazer o pedido. Mas, para seu espanto, o cliente já lá não estava. Nesse momento, o cliente estava amarrado, seguro pelo Koller, na carrinha da equipa do Bale. Agora era um refém de cada lado. O Bale resolveu avisar João Dias.

- Já temos o Bósnia.

- Muito bem. Já sabem onde o esconder. De seguida venham cá. Vamos contactá-los. Propor uma troca. O Bósnia pelo Zé Pedro. Voltar ao início.

Bale estava agora um pouco mais tranquilo. Já podia, em breve, reequilibrar o jogo. Bastava propor a troca…

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Friday, June 2, 2006

O Plano - 16º Episódio

Em casa de um dos seus colaboradores, Mark preparava um encontro via internet.

- Terei o DVD comigo até achar que é altura de o vender. Ou seja, até ser descoberta a forma de descodificar a informação que ele contém. 

- Em que passo estão as coisas?

- Não há ainda forma de descodificar a informação contida no DVD. Mas caminhamos nesse sentido.

- Têm uma previsão do tempo necessário?

- Não. É uma incógnita. Mas há gente muito competente a trabalhar nisso. Muitas empresas investiram o seu dinheiro nesta tarefa.

- Assim que se tiver atingido esse objectivo, a venda será imediata…

- Imediatas serão as negociações. Será uma espécie de leilão…

A conversa durou mais alguns minutos. Mais um potencial comprador…

Agora que Zé Pedro tinha sido capturado, Bale estava limitado nas acções. Bósnia tinha feito chantagem com o intuito de controlar as acções. Bale decidira contactar João Dias.

- Temos um problema. O Zé Pedro foi capturado por eles. Avisaram-me que, para bem da integridade dele, o melhor era não fazermos nada. - disse Bale.

- Não pode ser… Agora estais limitados nas acções. Temos que arranjar um meio de descobrir o local onde o Zé está. - disse João Dias.

- Isso é complicado…

- Não se… Nós temos fotos deles connosco. Eu tenho contactos. Gajos do submundo que vivem de serviços. Vou ter que contratar bastantes para “patrulharem” as ruas. Quero saber de todos os movimentos desses gajos.

- Parece-me a única solução.

- Aliás… Melhor do que descobrir o esconderijo deles, é capturar um deles.

- Mas aí corremos o risco de perdermos o Zé Pedro…

- E se os perseguirmos ou forçarmos a entrada na casa deles, também há esse risco. E a questão aqui é simples. Temos que apanhar o gajo mais importante deles, aquele que eles não podem mesmo perder…

- O Bósnia…

- Pois…

 

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Friday, May 12, 2006

O Plano - 15º Episódio

Conforme combinado, a equipa de Bale dedicou o dia às informações. Zé Pedro, por sua vez, foi comprar material informático. Percorreria algumas lojas da especialidade sem se preocupar muito com preços. O orçamento era ilimitado. Só existia um problema. Havia informadores do Bósnia, que conheciam os membros da equipa rival, prontos a avisar de qualquer movimento. Neste submundo, toda a gente se conhecia. De outras missões. O Bósnia recebeu um telefonema a informar da presença de Zé Pedro numa loja. “É agora…”, pensou Bósnia.

- Pessoal, um dos membros da equipa adversária anda sozinho num centro comercial. - disse Bósnia.

- Já sei o que fazer… - disse Mateus.

- Sê discreto… - disse Luís.

- Não te preocupes… - respondeu Mateus.

- O gajo é o “nerd” da informática. - disse Bósnia.

- Tenho peninha dele… - disse Mateus.

- Não o magoes. Usa a força com cuidado. - avisou Bósnia.

A equipa de Bósnia não perdeu tempo. Foi ao centro comercial em questão e começou a controlar os movimentos de Zé Pedro. Sem que ele se apercebesse de qualquer movimentação. Depois de comprar o material de que necessitava, Zé Pedro dirigiu-se, como seria de esperar, para o parque de estacionamento. Parque esse cujos seguranças estavam já imobilizados por Mateus. O carro de Zé Pedro estava agora vigiado pelo “gigante”. Assim que chegou, Zé Pedro abriu a mala do carro e colocou o material no seu interior. Antes que fechasse a mala, sentiu-se amarrado pelos enormes braços de Mateus. Hugo tratou de prender as mãos e os pés de Zé Pedro com uma corda. De mãos e pés atados, Zé Pedro foi colocado no interior da carrinha da equipa de Bósnia. E foi levado para a casa desta mesma equipa.

Minutos depois, o telefone do Bale tocou.

- Chefe, eles apanharam-me…

- Zé?! Onde estás?

- Está bem guardado. Agora só tens que te afastar desta missão. Até termos o DVD, nada de intromissões. E o Zé Pedro fica aqui sossegadinho…

Bósnia acabava de fazer o aviso. Estava agora a controlar toda a missão.

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Thursday, May 4, 2006

O Plano - 14º Episódio

O Senhor X era muito metódico. Fazia tudo com enorme racionalidade. Tinha agora Bósnia à sua frente.

- Estamos a jogar num campo com muitas armadilhas. Há informadores por todo o lado, a trabalhar com toda a gente. As redes de informação cruzam-se de forma imperceptível. Estamos a tentar perceber como se desenrolam as coisas. - disse o Senhor X.

- Nós estamos confiantes. O alvo não vai ter muitos recursos contra nós. - respondeu o Bósnia.

- Eles não têm muitos recursos, mas têm o mais importante. São espertos. E querem mesmo vender o DVD…

- Nós vamos apanhá-lo. Em poucos dias.

- Espero bem que sim. Eu não sei ao certo o conteúdo do DVD, mas tenho um palpite. Baseado em rumores, é certo, mas… Pode ser que esteja certo.

- A mim, como de resto em todos os trabalhos que fiz, não me interessa saber o porquê das coisas. Pagam-me, e isso chega. Tenho é algo importante para referir. Surgiu-nos a ideia de tentar impedir a equipa adversária de chegar ao portador do DVD. Nada como tentar raptar um membro da equipa deles.

- E há meio de o fazer?

- Sem problemas. Só precisamos de saber a sua opinião.

- Eu concordo. Só vos aviso para terem cuidado. Qualquer confusão e podem estragar tudo.

- Não se preocupe. Iremos fazer tudo com muito cuidado. Somos competentes.

- Não duvido disso.

- Acho que está na hora. A malta quer descansar.

- Sim, sim. Vão descansar, mantenha-se em contacto. Contactá-lo-ei sempre que ache necessário.

- Boa noite.

- Boa noite.

Assim que Bósnia abandonou o escritório, o Senhor X pegou no telefone. Havia informadores a contactar. Por seu lado, Bósnia falava agora à sua equipa.

- Pessoal, ele concordou. Vamos avançar sobre a equipa deles. O alvo vai ser o combinado. Amanhã discutiremos a operação e todos os detalhes. Agora é altura de descanso.

A festa em casa de João Dias já tinha terminado. A equipa de Bale regressava à casa que lhes servia de quartel-general. Todos bem cansados, conversavam sobre a missão.

- Amanhã temos que andar a sondar os informadores. Quero notícias sobre o Mark. - disse Bale.

- É melhor andarmos separados. Assim rentabilizaremos o tempo. - sugeriu Mendonça.

- Eu tenho que ir comprar material informático. - disse o Zé Pedro.

- Pois então seremos apenas três a reunir informações. Tu ficas com o dia para as compras. Levas a carrinha. Nós vamos nos nossos carros. - disse Bale.

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Tuesday, May 2, 2006

O Plano - 13º Episódio

Bale e a sua equipa chegavam a casa de João Dias. Davide fora recebê-los. Levou-os até à sala. Ao fim de alguns minutos, João Dias descia as escadas, vestindo um belo fato-de-treino, com uma mulher linda, que aparentava ser da Europa de Leste.

- Já cá estão? Apresento-vos a… Estrogono… Nabrati… Como é que se diz? Seja Perestroika… É da Eslováquia. É minha massagista…

Bale não deixou escapar um sorriso.

- Vai lá princesa, depois eu telefono-te. Gosto tanto de ti… - disse João Dias.

Depois de dar um maço de notas à mulher, João Dias dirigiu-se a Bale.

- Então? Como correram as coisas?

- O Mark não apareceu no centro comercial. Ainda recebemos uma chamada a indicar onde é que ele estava, mas alguém o informou e já não fomos a tempo. A equipa rival nem sequer saiu do centro.

- Parece que esse Mark está bem acompanhado. O melhor era descobrirmos quem é que o ajuda. Assim podíamos apanhá-lo mais facilmente.

- É uma ideia, mas estamos a lidar com gajos competentes. E que querem ganhar muito dinheiro com o seu DVD. Será difícil descobri-los e suborná-los…

- Depende de quem pomos no terreno e de quanto dinheiro temos para gastar… Agora não pensemos mais nisso. O jantar está quase pronto, vou comer e ver o Sporting. Acompanham-me?

Todos anuiram. A noite ia ser dedicada à bola.

- Mais logo vêm umas amigas cá a casa. Podem ir dar uma volta com elas para dar umas “coçadelas”. São amigas de confiança. E boas… Eu fico com a Perestroika…

O tempo agora era para jantar. Todos à mesa, a conversa era a esperada.

- Então, Bale, as coisas tão a ser complicadas? - perguntou João Dias.

- A primeira missão não correu lá muito bem. Nem Mark, nem rasto dele, e ainda levei um soco do “gorila” deles.

- O que achas que aconteceu?

- O Mark pode ter alterado os planos à última hora. Ou então foi avisado da nossa presença.

- Achas que ele está tão bem informado?

- Acredito que sim. Quem tem um DVD tão pretendido pode muito bem conseguir muitas ajudas. Ele pode muito bem ter sido informado sobre a nossa presença naquele centro comercial. E mudou os planos…

- Vocês são conhecidos?

- Não por muita gente, mas pelas pessoas certas…

- Teremos que ser mais discretos da próxima vez… - disse Mendonça.

- Acho que isso implica esconder bem o Koller… - disse o Zé Pedro.

- Concordo. - afirmou Koller.

- O que faremos será diferente desta última operação. Cercaremos o local, mas não andaremos muito perto à procura do Mark… - disse Bale.

- Parece-me bem… - disse João Dias.

Longe dali, Bósnia falava com a sua equipa.

- Pessoal, o Mark não apareceu e não me interessa bem porquê. Saberemos alguma coisa em breve. Até lá, temos uma missão. A equipa adversária pode muito bem ficar sem um membro temporariamente… Ficaremos com eles debaixo do nosso controlo…

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Saturday, April 29, 2006

O Plano - 12º Episódio

Venâncio Lopes era um amigo de João Dias. Era proprietário de um restaurante, “O Pietra”, onde João Dias fora muitas vezes, ora com namoradas, amantes ou mesmo prostitutas eslovacas. O Lopes usava, segundo o próprio, cabelo “à Paulo Futre” e tinha um farto bigode. João Dias e os seus amigos tratavam-no por Pietra, numa alusão a um jogador do Benfica dos anos 80. E ele orgulhava-se da alcunha. Era um acérrimo benfiquista. Tinha estado nas duas últimas finais europeias do seu clube. Ostentava no restaurante inúmeras fotografias com Eusébio, Rui Costa, Chalana, entre outras. Dizia que “o Benfica era tão grande que não cabia no Estádio da Luz”, e que por isso devia ter três estádios. Dominava a noite como poucos, usava sempre fatos de cores berrantes, montes de ouro ao pescoço, nos pulsos ou nos dedos. Coçava a “tomatada” à frente de toda a gente, e tinha um português muito “directo”. Tinha camarote no Estádio da Luz e mantinha com João Dias uma saudável rivalidade, dado este ser sportinguista. Um dia estavam os dois no restaurante, na treta.

- Pá, isto anda mau. Eu nem me posso queixar, o meu restaurante tem clientes muito regulares, mas o negócio tá fodido pós outros…

- Bem sei. A malta anda sem dinheiro.

- Só dá é para quem tem um barzito, daqueles que têm umas “gajas de corrida”… Isso é que anda a dar dinheiro. O gajos aparecem, meia horita de “berlaitólaite” e “coça-te Vicente”. Isso sim, é negócio rentável.

- Pois, mas não é muito fácil, porque tem que ser tudo bem disfarçado.

- Oh, disfarçado… Disfarçado só se for pr’alguns. Toda a gente sabe.

- Eu sei, mas mesmo assim, é preciso ter cuidado.

- Cuidado?! Isso tem que ter os clientes, que têm que por a borrachinha…

- És teimoso…

- Pá, não me venham com coisas… Esses gajos têm um “sitema”, com informadores e tudo, que sabem onde andam os polícias. Os polícias até lá devem ir e ter umas borlas… A mim ninguém me fode…

- Oh Lopes, mas não lês as notícias das casas que fecham, das apreensões?

- Oh, isso é um acordo que eles têm com os jornais, pra parecer que aquilo é vigiado… Isto anda tudo feito, é tudo um bando de chupistas…

- Mas…

- É como os árbitros! Ah e tal, que são sérios… E o “pénalte” que não marcaram no último jogo do Benfica??? Aliás, os três que não marcaram… Ninguém fala!!!

- Oh Lopes…

- E as ajudinhas ao Porto? É sem querer… É, é, é… Oh pá, eu já mijei pró mar… Sei destas coisas… Vem aqui comer muitas vezes um gajo que é primo dum vizinho dum delegado da Liga… Fontes seguras… Tu é que não acreditas, és passarinho…

- Não discuto, és um gajo que sabe de coisas…

- Eu, se falasse, fazia tremer muita gente… Vou até lá dentro, venho já

João Dias continuou a saborear a sua refeição. Ria-se sozinho. O Lopes era uma personagem…
 
Enquanto isso, Mark estava agora em local incerto. Incerto para quem o perseguia. Aquela moradia no meio da aldeia era um local seguro. E de lá, com a mais alta tecnologia, Mark estava sempre pronto a contactar e a ser contactado. Não que fosse necessário. Naquele momento, estava lá o seu sócio. Alguém que o ia ajudar ao longo de toda a missão.

- Tens que estar sempre pronto para isto. Estes gajos são lixados, não podemos facilitar. Vou poder dar-te toda a ajuda, mas prepara sempre a fuga ao entrares no local. Analisa bem as saídas, nunca deixes o carro longe, qualquer falha, e ficamos sem o DVD. - disse o Sócio.

- Não te preocupes. Sei o que faço. Só preciso é de estar bem informado. E não falhes, não durmas. Qualquer vestígio de distracção, e lá se vai o negócio. E, pior do que isso, lá vou eu. Arrisco-me a levar um balázio… - disse Mark.

- Eu sei bem por onde eles andam. Estou a controlar os movimentos com grande certeza. Como correu a negociação?

- Os gajos tinham na ideia comprar o DVD no imediato. Só me apeteceu rir. Acham que vou vender agora um produto que vai valer dez vezes mais daqui a uns tempos?

- São uns patos, no fundo. Porque pensam que nós somos patos. Eles que ganhem juízo. E enquanto isso, que juntem o dinheiro.

- Achas que vamos arranjar compradores à altura?

- Não imaginas o impacto que tem no mercado esses gajos saberem que há um DVD da Dias Electronic Systems por aí à solta. Nem que seja um DVD de receitas de culinária, será de certeza um DVD valioso. Essa empresa só tem projectos em grande…

- Bem sei, trabalhei lá. Só temos é que ter cuidade com quem vamos negociar…

- Não te preocupes. Neste momento temos todo o poder. E temos que mostrar falta de bom senso. Isto é, temos que lhes mostrar que somos espertos, mas ao mesmo tempo mostrar que podemos ser pacóvios ao ponto de destruirmos um DVD deste calibre sem problemas nenhuns…

- Isso vai fazer com que eles nos respeitem. Se não fizerem o que dissermos, adeus DVD…

- Nem mais. E sei que eles vão acabar por aparecer em grande número. Toda a gente vai querer isto…

- Só não quero cometer erros. Isto não é para brincadeiras. Estes tipos que andam atrás de mim são perigosos. E batem a um gajo, se for preciso…

- Não te preocupes. Agora vou indo. Tenho que fazer. A minha vida não é andar a roubar DVD’s.

- Pois não. É proteger quem os rouba…

- E faço-o de forma competente…

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Sunday, April 2, 2006

O Plano - 11º Episódio

Bale dava instruções, enquanto Mendonça conduzia a grande velocidade. Zé Pedro e Koller ouviam atentos. Assim que chegassem teriam que apanhar Mark, não dando tempo para que este se pusesse em fuga. Recuperar o DVD significaria cumprir a missão e ganhar muito dinheiro. Todos se prepararam para sair do carro. Poucos metros faltavam.

- Pessoal, quero rapidez de movimentos. Nada de deixar fugir o Mark. Quero apanhar o DVD hoje. - disse o Bale.

Assim que chegaram, sairam do carro rapidamente e entraram no café. Mas Mark já lá não estava.

- Merda!!! Não acredito que este tipo fugiu… - desabafou Bale.

- E agora? - perguntou Zé Pedro.

- Agora temos que esperar que algum dos nossos contactos nos dê notícias do Mark.

Enquanto isso, no centro comercial, Bósnia começava a ficar farto de esperar.

- Pessoal, ele já não vem. Regressemos todos.
 
Todos abandonaram os locais onde estavam. Mateus passou numa casa de sandes e comprou três. “Estou com um ratinho…” pensou. Juntou-se depois aos outros no parque de estacionamento. Sairam todos, em direcção ao armazém onde tinham montado o quartel-general.

- Talvez o Bale tenha abandonado o local por saber de algo que nós não sabemos. - disse o Bósnia.

- Ou então desistiu mais cedo do que nós. - disse o Hugo.

- Estes tipos vão atrapalhar-nos e muito. Talvez ficassem só para chatear. Mas em vez disso sairam. Eles sabiam de alguma coisa. - disse  Bósnia.

Minutos depois, o telefone do Bósnia tocou. Era o Senhor X.

- Então, há notícias?

- Não. O Mark não apareceu no centro comercial.

- E não sabe onde ele está?

- Aguardo informações de um contacto. Talvez seja melhor ligar mais tarde.

- Tudo bem. Aguarde um telefonema meu.

O Bósnia esperava que algum dos seus contactos lhe ligasse para o avisar de alguma movimentação que desconhecesse. Até lá só podiam esperar.

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Monday, March 13, 2006

O Plano - 10º Episódio

O Mark não só era especialista no disfarce como também dominava as técnicas de fuga. Estava num café, a conversar calmamente. Mudara o local do encontro para evitar problemas. Era uma técnica recorrente.

- Suponho que queres vender o teu produto… - disse o homem que se encontrava com Mark.

- Não sei ainda. Tenho intenções de explorar o seu potencial. Esse potencial está relacionado com o facto de este produto ser desejado por muita gente. O meu plano é esperar. As propostas irão aparecer e irei escolher a melhor. Só estou à espera que os meus compradores possam preparar-se para receber o produto. - disse Mark.

- Estou disposto a fazer-lhe uma oferta generosa.

- Mas este produto requer preparação. A informação guardada neste DVD só pode ser descodificada em computadores preparados. A informação está num código muito complicado de desvendar. As empresas querem este DVD, mas ainda não contêm o sistema de descodificação. Há muitas pessoas neste momento a tentar roubar o software, mas isso ainda vai demorar. A minha função é guardar o DVD até ele poder ser utilizado.

- Mas pode vender o DVD na mesma. O comprador que resolva depois o problema do código.

- Amigo, pense comigo. Quanto daria por um fato que não lhe servisse? E quanto daria por um fato que lhe ficasse mesmo à medida? Estamos a falar de preços bem diferentes.

- Bem pensado. Então não vou mesmo conseguir convencê-lo a vender o seu produto de imediato…

- Pode crer que não.

Enquanto decorria esta convers, a equipa do Bale continuava o seu caminho. Tinham que ser rápidos, para que Mark não abandonasse o local. O Mendonça acelerava, pois era uma excelente oportunidade de chegar junto de Mark.

- Temos que apanhar este tipo. Ele pensa que estamos feitos parvos a esperar que ele apareça no centro comercial, é uma óptima oportunidade de o surpreender. - disse o Bale.

- Se ele lá estiver ainda, não poderá fugir. - disse o Zé Pedro.

O telefone de Mark tocou.

- Sim?

- Os leões estão a caminho.

A chamada terminou de imediato.

- Tenho que ir. Podemos continuar a conversa depois? - perguntou o Mark.

- Concerteza.

Mark abandonou o café. Sabia que tinha pouco tempo até chgar alguém à sua procura.

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Thursday, March 9, 2006

O Plano - 9º Episódio

As equipas de Bale e de Bósnia continuavam à espera que Mark chegasse. Mas este não dava sinal de si. Isto já estava a deixar todos impacientes.

- Começo a achar estranha esta demora… - disse o Bale.

- Talvez ele saiba que estamos cá… - disse o Mendonça.

- Pode ser que saiba… E nesse caso será impossível que ele cá venha. - disse o Bale.

- Se assim for vamos ter que esperar novas informações sobre ele… - disse o Zé Pedro.

- Espero é não ter mais problemas com a equipa do Bósnia… Seria mau atrair atenções… A minha vontade era dar cabo daquele “gorila” deles, mas uma cena de pancadaria é a última coisa que quero hoje. Num outro dia… - disse o Bale.

A equipa do Bósnia continuava à procura. Mas Mark não aparecia.

- Talvez ele não venha… - disse o Bósnia.

- Ele devia estar com medo… - sugeriu o Hugo.

Algum tempo passou ainda, mas nada aconteceu. Até que o telefone do Bale tocou. Este falou alguns minutos. Assim que desligou, comunicou com os outros.

- Pessoal, o Mark não está cá. Vamos retirar. Discretamente, não quero ter aqueles tipo atrás de nós.

- Então mas onde está? - perguntou o Mendonça.

- Explico-vos no carro.

Os quatro abandonaram os seus postos. O Bósnia pensou que estavam a desistir. Eles sairam calmamente. Se estivessem com pressa era sinal que o Mark não estaria ali.

- Eles desistiram. Talvez esta seja a ideia do Mark. Mas nós vamos ficar. Se ele aparecer, só temos a ganhar com isso. - disse o Bósnia

- Ele pode ter-se atrasado de propósito. - disse o Luís.

- Ou então estão com medo… - disse o Mateus.

- Mas, mesmo assim, estes tipos não vão desistir. Eles podem ir embora agora, mas devem ter informadores, para avisá-los de movimentações. - disse o Hugo.

Nesse momento, o telefone do Bósnia tocou.

- Sim?

- Então? Alguma novidade?

- Não. Temos companhia, mas o portador não apareceu ainda.

- Mas houve problemas?

- Não. Apenas pregámos um susto a um deles. Mas isto está muito calmo.

- Mantenha-se atento. Ligarei mais tarde.

Nesse momento, a equipa do Bale estava já a caminho. O Mark estava num café perto dali. O local tinha sido mudado à última da hora. A equipa do Bale tinha agora uma enorme oportunidade. E não podiam deixá-la passar. Mas apanhar o Mark era tudo menos fácil. E Bale iria pecebê-lo, minutos mais tarde.

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Friday, March 3, 2006

O Plano - 8º Episódio

No dia em que Mark iria estar reunido com um potencial comprador, lá estava a equipa de Bale pronta para vigiar. Comunicavam uns com os outros, para que tudo fosse controlado.

- Aqui de cima a panorâmica é muito agradável. A loira que está sentada na mesa em frente da pastelaria é qualquer coisa de espectacular… E vista de cima… Espero que o Mark demore muito a chegar… - brincou o Mendoça.

- Ainda há gajos com sorte… Aqui à entrada está frio… - resmungou o Koller.

- Bom, já que o tema é loiraças, vou dedicar-me ao porno enquanto não há acção. - disse o Zé Pedro.

- Não quero borga, isto é uma missão importante. O Mark ainda não chegou, mas temos companhia… O Hugo passou mesmo agora por aqui. - avisou o Bale.

O Hugo já se movimentava pelo local. A equipa toda sabia que iria haver muita acção naquele centro, e por isso todos estavam alerta. A qualquer momento poderia haver problemas.

- Pessoal, os nossos quatro adversários estão aqui. Não gosto nada da ideia de haver empecilhos nas minha missões. Se o Bale fosse atrapalhado, ficaria mesmo satisfeito… - disse o Bósnia.

- Percebi… - disse o Mateus.

Mateus chamava-se Mateus, mas poderia sem problemas chamar-se “Fujam que eu parto isto tudo”. Serviria na perfeição esse nome. E ele era o homem que entrava em acção quando as coisas se complicavam. Bale andava a rondar. E Mateus rondava-o de longe… “Se ao menos tivesse uma hipótese…” pensava Mateus. Não demorou a chegar essa mesma hipótese. Bale passou mesmo em frente à casa de banho. “É isso…” pensou Mateus. Era a sua chance. Empurrou o Bale de forma discreta, e já dentro da casa de banho deu-lhe dois socos bem dados. Bale caiu no chão, desmaiado. “Este já está”. Com Bale neutralizado, Mateus tinha agora que escondê-lo. Sentou-o numa sanita. Comunicou o seu sucesso.

- O Bale já está a fazer “poo-poo”. Enquanto dorme.

- Muito bem miúdo. - disse o Bósnia. 

Alguns minutos passaram e o silêncio do Bale estava a causar espanto.

- Então, Bale? - perguntou o Mendonça.

Silêncio.

- Bale! Estás a apreciar a loira, é? - disse o Mendonça.

Silêncio.

- Pessoal, não é por nada, mas o Bale não está a responder. E ele responde sempre. Ele fala sempre antes de nós perguntarmos. É melhor procurarmos. - avisou o Mendonça.

- Eu faço isso. - disse o Koller.

Zé Pedro não abandonou o seu posto. Estava a controlar todas as conversações telefónicas. Demoraria alguns minutos a fechar todas as aplicações que tinha abertas no computador. Mendonça e Koller fariam o resto. E havia ainda que controlar o negócio que Mark se preparava para fazer. No entanto Mark não estava ainda no centro comercial.

A procura não demorou muito. As casas de banho foram os primeiros locais de procura. Lá estava o Bale, desmaiado, sentado numa sanita.

- Deve ter sido o “gorila” deles. Ele não é para brincadeiras. - disse o Mendonça.

- E se o procurarmos? Ele não deve ter abandonado o centro comercial. - sugeriu o Koller.

- Sabemos que foi ele. Mas não podemos prová-lo. Não vamos entrar em conflitos. O Zé Pedro é, neste momento, a minha preocupação. - disse o Mendonça.

- Eu vou pra junto dele. - disse o Koller.

Sem mais palavaras, Koller foi pra junto de Zé Pedro e sentou-se na mesa junto à dele. Nada de falar com ele. Só protegê-lo. Mendonça ficou com o Bale, para esperar que este recuperasse. Minutos mais tarde, o Bale despertava.

- O que é que se passa? - perguntou, ainda confuso.

- Levaste uma pancada forte. Foi o gajo grande deles. Bateu-te e não foi devagar. Foi tudo para atrapalhar a nossa missão. É melhor ires embora, nós ficamos cá. - disse o Mendonça.

- Nem penses. Tenho uma missão a coordenar. E não abandonarei o meu posto.

- Tudo bem, não vou teimar contigo, mas é melhor teres cuidado.

De novo quatro contra quatro. E Mark ainda por chegar…

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