Monday, February 27, 2006

O Plano - 7º Episódio

Na sua mansão, João Dias falava com o seu assistente sobre a missão que acabava de entregar a Bale e à sua equipa.

- Acho que fizemos as melhore escolhas. Estes tipos são profissionais. São caros, mas vale a pena. - disse João Dias.

- Concordo. Eles não precisarão de muito tempo para apanhar o Mark e recuperar o DVD. Só me preocupa o facto de eles poderem começar a negociar com outros. - disse Davide.

- Não acredito. Mas mesmo que o tentem fazer, estou preparado. Não falta quem fale por pouco dinheiro. Saberei de todos os contactos que se fizerem relacionados com este DVD. Ele é importante demais para que a negociação pela sua posse passe despercebida.

- Se o conteúdo for revelado sem o cuidado necessário…

- Não me preocupo muito com isso. Será preciso muito tempo até conseguirem o código para tornar a informação perceptível. São milhões de números, com uma sucessão de fórmulas que descodificam cada grupo de algarismos. Depois disso é necessário colocar a informação na ordem certa, o que é muito difícil. Basicamente, a informação está muito bem espalhada, de modo a que ninguém perceba nada.

- Ainda bem que o DVD está tão bem codificado…

- Aquela informação poderia agitar demais o cenário, não só científico como também político.

- E nas mãos erradas…

- Isso não vai acontecer.
 
Por seu lado, a equipa de Bale tinha conseguido já um importante avanço. Um dos seus múltiplos contactos, cujo objectivo era conseguir informações úteis sobre Mark, tinha descoberto que um importante negócio iria ser discutido num centro comercial da cidade. O objectivo principal estava delineado: procurar tudo o que fossem indícios de um negócio a decorrer e tirar toda a informação possível. Todo o tipo de tecnologia de espionagem iria ser utilizado. Nada de confusões, nada de tentativas de roubo, apenas e só tentar perceber até onde Mark estaria disposto a ir. Era apenas uma missão de espionagem, não de ataque.

- A missão é muito simples. Eu irei estar a percorrer todo o centro comercial a procurar movimentos suspeitos. Mendonça estará num andar superior, a controlar tudo. Zé Pedro vai usar o portátil para registar todas as chamadas que se façam no interior do edifício. Terá ao seu dispor todos os aparelhos de que precisa. Por seu lado, Koller irá estar na entrada principal, para o caso de ter que bloquear a saída a alguém. - afirmou o Bale.

- Nada de ataques, apenas vigilância. - avisou Mendonça.

Já a equipa do Bósnia não estava disposta a deixar passar a oportunidade. Iriam estar lá exactamente com o mesmo objectivo que a equipa de Bale. E estariam na disposição de usar a força. A forma de actuação era ligeiramente diferente da dos adversários. E nada se deveria interpôr no seu caminho. A equipa do Bósnia iria estar no centro comercial em questão. Iria vigiar de forma muito semelhante à da equipa adversária. Mas com uma pequena grande diferença: iria tentar recuperar já o DVD. Não estava interessada em saber quem o queria comprar. O que para eles interessava é que eles queriam o DVD, porque a vida deles era fazer este tipo de coisas. Uma vez na posse do DVD, compradores não faltariam a quem os contratou. Eles eram profissionais.

- Assim que encontrarmos o portador do DVD, avançamos sobre ele, controlamos os seus movimentos, ameaçamo-lo para que nos acompanhe até ao parque, tiramos o que queremos e vamos embora. Ele roubou aquilo, não nos vai denunciar. - disse Bósnia.

- E se ele se mostrar relutante em acompanhar-nos? - perguntou o Luís.

- Acredita qure vamos ser bem claros na abordagem. O Mateus tratará disso. - esclareceu o Bósnia.

O dia, no centro comercial, iria ser, sem dúvida, agitado. Oito homens, quatro de cada lado, iriam tentar levar a melhor.

 

 

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Thursday, February 23, 2006

O Plano - 6º Episódio

A lista estava finalmente pronta. Um jipe e alguns aparelhos de espionagem, alta tecnoligia aliás, que era fornecida pela “Dias Electronic Systems”. Em poucos dias tudo estaria preparado. Era altura de reunir informação junto de amigos e de pessoal da empresa que conhecesse o Mark. O primeiro passo era localizar Mark. De seguida seria necessário fazer uma aproximação, de forma subtil, para não assustar o portador do DVD. Depois era só esperar pela melhor altura para recuperar o objecto procurado. Tudo enquanto vão tentando manter o DVD fora do alcance de mãos alheias.

Dias depois de tudo estar providenciado, a equipa estava pronta a avançar no terreno. E tudo estava planeado. Seriam feitas algumas investigações. O Mark não podia estar longe. O Zé Pedro já tinha usado a sua perícia para se infiltrar em tudo o que fossem sistemas informáticos de transferência de dinheiro. Assim que a conta bancária de Mark fosse movimentada, a equipa iria sabê-lo. Não demoraria nada, ele iria dar de si. O que Zé Pedro não sabia é que Mark também era astuto. E iria tentar evitar deixar qualquer tipo de marcas. Foi mesmo o que ele fez. Pediu dinheiro emprestado a uns familiares. E estava preparado. Uma nova conta tinha sido criada. Um conhecido seu iria financiá-lo durante o tempo que fosse necessário. E também iria receber com isso parte do dinheiro da venda do DVD. Havia já potenciais compradores. Esses compradores iriam estar atentos à situação de Mark, e iriam certamente esperar pela altura certa para o contactar. Mark não estava preocupado, de início, com isso. O que queria era arranjar um lugar para ficar durante esta fase. O seu plano não era muito complexo. Vender o DVD, e, através de um contacto que receberia bom dinheiro pelo favor, iria abandonar o país num pequeno aeródromo, num jacto particular que alugaria com o dinheiro que ganharia. O restante dinheiro seria colocado de imediato nas Ilhas Caimão, onde ninguém o iria chatear com a astronómica quantia que iria ganhar. O plano estava muito bem feito, no entanto, Mark não calculava quem o procurava, naquele preciso momento. Se ele fizesse uma pequena ideia da informação que tinha naquele DVD, abandonar o país seria a última ideia que teria. O DVD que Mark transportava não era um DVD qualquer. A informação que continha apenas podia ser acedida em computadores com características muito próprias, pelo que Mark ainda não tinha explorado todo o seu conteúdo. Sabia de alguns pormenores, mas teria que contar com a ajuda de um amigo seu para descodificar toda aquela informação.

A equipa de Bale estava já no terreno. Conseguira o seu NIB e, através de alguns subornos, o seu número de telefone. Tudo estava já sob apertada vigilância. Nada lhes escaparia. Mas Mark era um indivíduo prevenido. E não tencionava falhar na sua missão.

Quanto aos quatro homens que procuravam Mark, esses também estavam bem preparados para a missão. Recuperar o DVD e impedir o acesso à sua informação era o mais importante.

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Tuesday, February 21, 2006

O Plano - 5º Episódio

Como havia sido combinado, os quatro que tinham sido convidados a participar na missão estavam à espera no local destinado. Foram levados até uma enorme mansão, em Braga. Entraram e foram recebidos por um homem, bem vestido, que de pronto se apresentou.

- Bom dia a todos. O meu nome é Davide Oliveira. Sou acessor do vosso anfitrião. Ele convidou-vos a estar aqui para participarem numa missão. Vai receber-vos dentro de minutos. Mas não quero deixar passar a opurtunidade para vos agradecer por terem vindo. É muito bom poder contar convosco para a nossa missão.

Os quatro foram conduzidos por enormes corredores. Entraram num escritório, onde estava um homem sentado. De imediato, este apresentou-se.

- Bom dia a todos. Quero agradecer-vos por terem vindo. O meu nome é João Dias. Sou fundador, proprietário e director mundial da empresa “Dias Electronic Systems”. Há dias foi roubado da minha empresa um DVD contendo informações altamente confidenciais. Essas informações não podem chegar às pessoas erradas, pois é informação de altíssima importância. Acontece que o tipo que roubou o DVD pretende agora negociá-lo a altíssimo preço. Os compradores são directores de empresas concorrentes da minha. Como a informação é secreta, não está, obviamente, patenteada. O objectivo dos meus concorrentes é ficarem com essa informação como sendo sua. A minha vantagem nesta situação reside no facto de a informação do DVD estar encriptada. Logo, assim que o DVD for colocado num computador que não esteja preparado, os meus concorrentes irão ter acesso apenas a números. Milhões de números. Mas acredito que eles estejam dispostos a pagar aos melhores matemáticos para descobrirem o código que lhes permita tornar a informação acessível. Por isso, preciso da vossa ajuda. O indivíduo que roubou o DVD pensa ter feito um grande serviço. Pensa que vai vendê-lo por muito dinheiro. Mas o que realmente vai acontecer é uma espécie de caçada. Há já quatro especialistas neste tipo de missão à procura dele. Não vão demorar muito a encontrá-lo. O que eu preciso de vocês é, basicamente, que retirem o DVD a quem o roubou e mo entreguem pessoalmente. Estou disposto a pagar um milhão de euros a cada um de vocês. O que me dizem?

- De que meios vamos dispor? - perguntou o Bale.

- Proponho-vos que façam uma lista de material necessário, dado que os especialistas aqui são vocês. Eu apenas pago. Apresentem-me um orçamento. Se quiserem reunir-se para discutirem o assunto, podem falar à vontade sem a minha presença. Mas antes permitam-me que apresente cada um de vocês. Este senhor é Luís Peixoto, ou Bale se preferirem. Foi um destacadíssimo membro da Scotland Yard, pertencendo também ao conhecido clã MacDillian. Fez inúmeras missões de resgate, tendo por isso sido condecorado várias vezes. Hoje trabalha por conta própria neste tipo de missões. Este outro senhor é Pedro Alves, conhecido como Mendonça. Foi atirador, na conhecida força especial dos GOES. Hoje dedica-se a este tipo de trabalhos, e é gestor nos tempos livres. Este aqui é o Zé Pedro, informático por excelência. Este último é Pedro Fonseca, também conhecido como Koller, antigo campeão de kick-boxing.

- E quem é o tipo que tem o DVD? - perguntou o Mendonça.

- É um informático que trabalhava na minha empresa, conhecido entre os colegas como Mark. Está neste momento em parte incerta. Irei disponibilizar-vos uma foto dele. Eu quero que sejam vocês a fazer o serviço porque sei que são uma espécie de caçadores de prémios. E está aqui muito dinheiro em jogo. Se forem daqui a um jornal para contar esta história, terei de arranjar outra maneira de resolver o problema. Mas não só perderão a hipótese de ganhar muito dinheiro, como todos aqueles que querem ficar com o DVD vão ficar muito chateados convosco. Por fim apresento-vos os inimigos. Pelos contactos que tenho, são quatro. Estão neste momento já no terreno, à procura de Mark. São eles conhecidos como Bósnia, Luís, Mateus e Hugo. São caçadores de prémios, tal como vocês. Pagam-lhes para fazer este tipo de missões. Bósnia é conhecido como tal por ter participado numa missão dos “capacetes azuis”, da ONU, na Bósnia, Luís é especialista em roubos arriscados, devido às proezas físicas que consegue executar, Hugo dedica-se a este tipo de missões e Mateus é um guarda-costas de um tipo muito rico. E eles são especialistas. Fiquem com fotos deles, para que possam estar preparados.

- Eu, por mim, aceito. - disse Koller, estalando os dedos.

Todos concordaram.

- Vamos fazer uma lista. Entregamo-la daqui a uma hora.

João Dias aceitou. Iria esperar. Já tinha os trunfos com ele.

 

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Saturday, February 18, 2006

O Plano - 4º Episódio

Zé Pedro estava sempre no computador. Tinha sempre imenso serviço para fazer. Os computadores era mesmo o que dominava. E isso valia muito. Era o tipo de pessoa que dizia “máquina” em vez de “computador” ou “URL” em vez de “endereço”. Passava muito tempo por dia a fazer download de programas, jogos, ou até mesmo porno. Um dia, estava numa sala de chat, a teclar com uma rapariga.

- Como te chamas? - perguntou ele.

- Susana. E tu?

- Filipe. Que idade tens?

- 22. E tu?

- 25. Que fazes?

- Estudo, e tu?

- Eu sou engenheiro de sistemas informáticos.

- Tens foto?

- Tenho.

Ali ficaram a teclar durante mais uma hora. No final, um encontro estava marcado. Iriam encontrar-se num café no dia seguinte.

Tal como combinado, o Zé Pedro estava à espera da rapariga com uma camisola verde vestida. Era uma espécie de código. Até que chegou um homem e sentou-se na sua mesa. Bem vestido, parecia um homem de negócios.

- Desculpe, mas não se pode sentar na minha mesa. - disse o Zé Pedro.

- Calma. Eu sou a “Susana”. E tu não és Filipe, mas sim Zé Pedro. Sei que dominas a informática.

- Mas…

- Tenho uma proposta a fazer-lhe. Pode ganhar um milhão de euros. Só tenho que lhe entregar este DVD. A mensagem que ele traz só a si diz respeito. Através dele saberá como nos contactar.

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Thursday, February 16, 2006

O Plano - 3º Episódio

O Mendonça era gestor numa empresa têxtil. Mas passava lá pouco tempo. O proprietário da empresa tinha tido muitos problemas com jogo. Tinha perdido imenso dinheiro e até um carro. Um dia ficou a dever dinheiro a um tipo que era, de certa forma, perigoso. E foi o Mendonça quem o ajudou a livrar-se dos problemas. Não só lhe salvou a vida como arranjou quem lhe emprestasse dinheiro. Em troca, o porprietário arranjou emprego ao Mendonça, como gestor, apenas como forma de agradecimento. Mas o Mendonça dedicava-se pouco ao seu emprego. Tinha que se ausentar para fazer alguns trabalhos que lhe encomendavam, e não se chateava muito com a empresa. Um dia, estava no escritório, quando o telefone tocou.

- Pedro Alves, boa tarde.

- Boa tarde, senhor Pedro. Daqui fala Manuel Castro, sou gestor de uma empresa sediada no Porto. Precisava de lhe falar num negócio que tenho em mente. Vocês estão interessados em…

- Não. Neste momento estamos pouco interessados em negócios. Estamos a reestruturar a empresa.

- Mas…

- Lá lá lá lá lá lá lá lá, não estou a ouvir.

- Desculpe, mas está…

- Queira fazer o favor de não me chatear. Sei muito bem qual é a sua empresa e o que pretende. Vocês ajudaram a falir algumas empresas e nós estamos avisados.

- Mas…

- Mas nada. Faça mas é o favor de me deixar em paz, que tenho mais com que me chatear. Se o senhor volta a ligar-me, ponho-o em espera a ouvir Cock Robin até Sexta-feira.

- Mas…

- Tou a ouvir mal, parece que o senhor está debaixo de água…

- Senhor Pedro…

- A chamada está com má qualidade… Adeus.

Assim que desligou o telefone, Mendonça, como era conhecido, avisou a secretária.

- Marta, se voltarem a ligar, será você a atender. E se forem os gajos do Porto, ponha-os em espera com esas musiquinhas que tenho aí preparadas.

- Sim, senhor Pedro.

Minutos mais tarde, Marta bateu à porta.

- Posso?

- Faça favor.

- Está aqui um senhor que diz que precisa de falar consigo.

- Mas não tenho nada agendado para hoje.

- Mas ele diz que o senhor não se arrependerá de o receber. Só quer entregar-lhe algo.

- OK, mande entrar.

Assim que Marta disse, o homem entrou.

- Pode sair. Obrigado Marta.

Depois dirigiu-se ao homem.

- Sente-se, por favor.

O homem sentou-se. Bem vestido, parecia um homem de negócios.

- Tenho uma proposta a fazer-lhe. Pode ganhar um milhão de euros. Só tenho que lhe entregar este DVD. A mensagem que ele traz só a si diz respeito. Através dele saberá como nos contactar.

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Tuesday, February 14, 2006

O Plano - 2º Episódio

Pedro, ou Koller, era conhecido pela simpatia, em tempos de calma, e pelos pontapés, em tempos de agitação. Segundo o próprio, “nada o impedia de ser simpático, excepto o que o tornava antipático”. Esclarecedor. Tinha sido um bom lutador. Mas já não competia. Segundo ele, “o desporto dava pouco dinheiro, por isso cada murro que levava saía caro”. E para além disso, no desporto era suposto haver respeito. E para ele, “é impossível respeitar um tipo e bater-lhe com força”. Por isso, já não se dedicava às competições. Era instrutor e segurança. E ganhava bem mais com isso. Nas aulas, era muito exigente com os alunos.

- Mantenham os braços em posição de defesa!!! Levantem essas pernas!!! Mexam-se!!!

As aulas passavam-se a um ritmo muito elevado, os alunos tinham que se aplicar ao máximo. Koller exigia muito deles, mas em compensação fazia deles campeões. Os alunos dele venciam quase todas as competições em que participavam. Koller havia sido um ganhador enquanto atleta e parecia querer manter-se nessa condição como treinador. Os alunos admiravam-no.

Para além de dar aulas de kick-boxing num ginásio, durante a noite era segurança de um proprietário de vários bares. Para além de lhe dar protecção, ainda resolvia alguns problemas que se passavam nos bares. E era muito bem pago por isso.

Um dia, um carro parou em frente de sua casa. Dele saiu um homem. Bem vestido, parecia um homem de negócios.

- Tenho uma proposta a fazer-lhe. Pode ganhar um milhão de euros. Só tenho que lhe entregar este DVD. A mensagem que ele traz só a si diz respeito. Através dele saberá como nos contactar.

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Saturday, February 11, 2006

O Plano - 1º Episódio

No topo de uma das montanhas das Terras Altas da Escócia, Bale treinava com o seu mestre, Ian MacDillian. O treino já durava há mais de duas horas, e Bale estava já exausto. Estava a levar muita pancada, já mal se sustinha de pé. A chuva que se fazia sentir, fazia horas, estava a dificultar a tarefa. O frio começava a tolher os músculos de Bale, mas este não desistia. 

- Não pares, miúdo. Se parares, será pior para ti!!!

- Estou sem forças…

Assim que Bale terminou esta frase, mais um violento soco o atingiu. Caíu no chão, sem força alguma que lhe restasse.

- Eu já sabia que não eras um aluno à altura. Podes pegar nas tuas coisas e ir embora quando quiseres. Desiludes-me. Nunca pertencerás ao nosso clã…

Neste momento, desafiado pelas palavras do mestre, Bale levantou-se. Não estava muito estável, mas ia tentar. Um último soco atirou-o ao chão. Era o último daquele treino.

- Eu admiro a tua persistência. Levas pancada atrás de pancada, mas tentas sempre um último movimento. É por isso que gosto de treinar contigo. Um dia vais aprender. E nesse dia, podes dizer que te tornaste um homem. Um homem a sério.

- Não vás embora. Ainda tenho uns truques para te mostrar!!! - dizia Bale, com um sorriso irónico.

- Não brinques… Estás aí sem te conseguir levantar. Não vais conseguir treinar nos próximos dias…

Nos dias seguintes, Bale treinou como sempre, esforçando-se ao máximo. E em todos o desfecho era o previsível. Mais uma tareia. E outra, e outra, e outra. Carregou sacos de areia, trabalhou no campo, dormiu nas montanhas, com poucos meios, e tudo fê-lo ficar mais forte.

Assim foi, até ao dia em que conseguiu derrubar o mestre. E quando aprendeu a fazê-lo, consegui vencê-lo, dias depois. Aos poucos foi melhorando. E aí terminou o seu treino, que tinha começado há quase dois anos. Carregou baldes de água. Sacos de areia. Escalou montanhas e nelas viveu sozinho vários dias seguidos. E aprendeu os segredos do seu mestre. Era um membro do clã MacDilliann. Finalmente.

- Parabéns, rapaz. Sabia que tinhas capacidades para pertencer ao nosso clã, o teu currículo fala por si. Só precisava de saber se estavas disposto a aguentar o treino. Agora podes contar connosco sempre que quiseres. Espero que estes dois anos tenham servido para adquirires conhecimentos que te venham a ser úteis. E serão concerteza. A partir de agora, serás sempre um dos nossos.

O Bale regressou a casa. Tinha um castelo na Escócia, o país que sempre o fascinara. Certo dia, um helicóptero pousou perto do seu castelo. Trazia um homem para falar consigo. Bem vestido, parecia um homem de negócios.

- Tenho uma proposta a fazer-lhe. Pode ganhar um milhão de euros. Só tenho que lhe entregar este DVD. A mensagem que ele traz só a si diz respeito. Através dele saberá como nos contactar.

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