O Plano - 12º Episódio
Venâncio Lopes era um amigo de João Dias. Era proprietário de um restaurante, “O Pietra”, onde João Dias fora muitas vezes, ora com namoradas, amantes ou mesmo prostitutas eslovacas. O Lopes usava, segundo o próprio, cabelo “à Paulo Futre” e tinha um farto bigode. João Dias e os seus amigos tratavam-no por Pietra, numa alusão a um jogador do Benfica dos anos 80. E ele orgulhava-se da alcunha. Era um acérrimo benfiquista. Tinha estado nas duas últimas finais europeias do seu clube. Ostentava no restaurante inúmeras fotografias com Eusébio, Rui Costa, Chalana, entre outras. Dizia que “o Benfica era tão grande que não cabia no Estádio da Luz”, e que por isso devia ter três estádios. Dominava a noite como poucos, usava sempre fatos de cores berrantes, montes de ouro ao pescoço, nos pulsos ou nos dedos. Coçava a “tomatada” à frente de toda a gente, e tinha um português muito “directo”. Tinha camarote no Estádio da Luz e mantinha com João Dias uma saudável rivalidade, dado este ser sportinguista. Um dia estavam os dois no restaurante, na treta.
- Pá, isto anda mau. Eu nem me posso queixar, o meu restaurante tem clientes muito regulares, mas o negócio tá fodido pós outros…
- Bem sei. A malta anda sem dinheiro.
- Só dá é para quem tem um barzito, daqueles que têm umas “gajas de corrida”… Isso é que anda a dar dinheiro. O gajos aparecem, meia horita de “berlaitólaite” e “coça-te Vicente”. Isso sim, é negócio rentável.
- Pois, mas não é muito fácil, porque tem que ser tudo bem disfarçado.
- Oh, disfarçado… Disfarçado só se for pr’alguns. Toda a gente sabe.
- Eu sei, mas mesmo assim, é preciso ter cuidado.
- Cuidado?! Isso tem que ter os clientes, que têm que por a borrachinha…
- És teimoso…
- Pá, não me venham com coisas… Esses gajos têm um “sitema”, com informadores e tudo, que sabem onde andam os polícias. Os polícias até lá devem ir e ter umas borlas… A mim ninguém me fode…
- Oh Lopes, mas não lês as notícias das casas que fecham, das apreensões?
- Oh, isso é um acordo que eles têm com os jornais, pra parecer que aquilo é vigiado… Isto anda tudo feito, é tudo um bando de chupistas…
- Mas…
- É como os árbitros! Ah e tal, que são sérios… E o “pénalte” que não marcaram no último jogo do Benfica??? Aliás, os três que não marcaram… Ninguém fala!!!
- Oh Lopes…
- E as ajudinhas ao Porto? É sem querer… É, é, é… Oh pá, eu já mijei pró mar… Sei destas coisas… Vem aqui comer muitas vezes um gajo que é primo dum vizinho dum delegado da Liga… Fontes seguras… Tu é que não acreditas, és passarinho…
- Não discuto, és um gajo que sabe de coisas…
- Eu, se falasse, fazia tremer muita gente… Vou até lá dentro, venho já
João Dias continuou a saborear a sua refeição. Ria-se sozinho. O Lopes era uma personagem…
Enquanto isso, Mark estava agora em local incerto. Incerto para quem o perseguia. Aquela moradia no meio da aldeia era um local seguro. E de lá, com a mais alta tecnologia, Mark estava sempre pronto a contactar e a ser contactado. Não que fosse necessário. Naquele momento, estava lá o seu sócio. Alguém que o ia ajudar ao longo de toda a missão.
- Tens que estar sempre pronto para isto. Estes gajos são lixados, não podemos facilitar. Vou poder dar-te toda a ajuda, mas prepara sempre a fuga ao entrares no local. Analisa bem as saídas, nunca deixes o carro longe, qualquer falha, e ficamos sem o DVD. - disse o Sócio.
- Não te preocupes. Sei o que faço. Só preciso é de estar bem informado. E não falhes, não durmas. Qualquer vestígio de distracção, e lá se vai o negócio. E, pior do que isso, lá vou eu. Arrisco-me a levar um balázio… - disse Mark.
- Eu sei bem por onde eles andam. Estou a controlar os movimentos com grande certeza. Como correu a negociação?
- Os gajos tinham na ideia comprar o DVD no imediato. Só me apeteceu rir. Acham que vou vender agora um produto que vai valer dez vezes mais daqui a uns tempos?
- São uns patos, no fundo. Porque pensam que nós somos patos. Eles que ganhem juízo. E enquanto isso, que juntem o dinheiro.
- Achas que vamos arranjar compradores à altura?
- Não imaginas o impacto que tem no mercado esses gajos saberem que há um DVD da Dias Electronic Systems por aí à solta. Nem que seja um DVD de receitas de culinária, será de certeza um DVD valioso. Essa empresa só tem projectos em grande…
- Bem sei, trabalhei lá. Só temos é que ter cuidade com quem vamos negociar…
- Não te preocupes. Neste momento temos todo o poder. E temos que mostrar falta de bom senso. Isto é, temos que lhes mostrar que somos espertos, mas ao mesmo tempo mostrar que podemos ser pacóvios ao ponto de destruirmos um DVD deste calibre sem problemas nenhuns…
- Isso vai fazer com que eles nos respeitem. Se não fizerem o que dissermos, adeus DVD…
- Nem mais. E sei que eles vão acabar por aparecer em grande número. Toda a gente vai querer isto…
- Só não quero cometer erros. Isto não é para brincadeiras. Estes tipos que andam atrás de mim são perigosos. E batem a um gajo, se for preciso…
- Não te preocupes. Agora vou indo. Tenho que fazer. A minha vida não é andar a roubar DVD’s.
- Pois não. É proteger quem os rouba…
- E faço-o de forma competente…
coça-te vicente LOLOLOLOLOLOLOLOLOL loucura, o Lopes é genial